AS REDES DE RELACIONAMENTO E A RECOLOCAÇÃO PROFISSIONAL
Numa campanha de recolocação a redes profissionais não são as mais eficazes. Neste caso, é preciso escalar.


Temos redes de relacionamento próprias em cada dimensão da nossa vida e nem todas se prestam para apoiar uma campanha de recolocação profissional.

Uma rede de relacionamentos profissionais liga as pessoas de modo singular e especial. Ela baseia-se numa moeda de troca, que é o potencial de apoio recíproco entre seus membros. O altruísmo é raro nas redes profissionais, até porque no cotidiano das atividades não há tempo para isso.

As redes familiares, ao contrário, têm como base o afeto, a responsabilidade pelo outro e a compaixão. Até aqui existe uma necessidade de reciprocidade, mas ela não é central. Nas redes de amigos, nas religiosas, nas esportivas, etc., além dos interesses comuns, existe o companheirismo e até o afeto, mas, geralmente, sem a possibilidade ou a expectativa de que essas relações possam ser de valia no campo profissional.

No próprio campo profissional existem “redes de contatos” que não se caracterizam como redes de relacionamentos. Essas “redes” são formadas por pessoas com que tivemos algum tipo de interação ao longo da nossa carreira, mas, com as quais o vínculo é muito pequeno, se é que existe. Um exemplo são as relações que estabelecemos através de mecanismos da internet, muitas vezes com milhares de pessoas. Ou aqueles contatos breves e superficiais que ocorrem em palestras, em feiras, no avião, com fornecedores, etc. Na grande maioria dos casos, não conseguimos associar os nomes em cartões de visita ao rosto de alguém.

Também não compõem necessariamente a nossa rede aquelas pessoas com quem lidamos em função do nosso cargo e função na empresa. Embora às vezes calorosas, essas relações são institucionais - não são nossas -, e se mantém apenas enquanto os interesses da empresa estiverem evidenciados. O nosso vínculo com clientes, fornecedores e outros, tão forte até ontem, tende a desaparecer rapidamente se sairmos hoje da organização. Por isso recomendamos para aqueles que se tornam disponíveis que evitem “tirar uns dias para descansar”, mas, ao contrário, que conversem rapidamente com todas as pessoas dessas relações enquanto têm vestígios da aura da empresa em torno de si.

Mas, então, como se compõe uma rede de relacionamento profissional?

Em primeiro lugar, nestas existe aquele potencial de ajuda recíproca entre seus membros, algo que pode ser solicitado agora, no futuro, ou jamais ser utilizado. O que vale aqui é uma espécie de “conta corrente” que registra a possibilidade de uma pessoa poder contar com a boa vontade de outra numa hora qualquer. Por isso, em geral, essas redes são compostas de pessoas do mesmo setor, da mesma área de atividade e do mesmo nível hierárquico. São supervisores que se relacionam com outros supervisores, gerentes com gerentes, diretores com diretores, CEO´s com CEO´s, e acionistas com acionistas. Ou seja, pessoas que respeitam a capacidade umas das outras e que podem ajudar-se em questões diversas do dia a dia. Esta rede é excelente para uma troca de ideias sobre um fato econômico, para um pedido de referências ou para discussão de assuntos profissionais de natureza não confidencial. Na rede a gente aprende, ensina e cresce profissionalmente.

Mas, para isso, a rede precisa ser algo vivo, ativo e funcionando. Uma rede inerte não é uma rede, pois não interliga nada. Para funcionar, as pessoas precisam estar abertas umas para as outras, não podem se fechar no seu trabalho e no seu mundo e precisam manter-se disponíveis para apoiar os demais quando necessário. Só assim a rede responderá em caso de necessidade. Isto não significa que alguém precisa ficar à disposição da sua rede o tempo todo, até porque isso seria fisicamente impossível. Mas, pensemos, com quantas pessoas podemos realmente contar em caso de necessidade? Geralmente não são muitas e, por isso, essas relações podem e devem ser preservadas com atenção. Estas são as pessoas que o atendem, que retornam a sua ligação e que se encontram com você para conversar. Normalmente são relacionamentos de longa data e maturados pelo tempo, gente que conhecemos bem e que aprendemos a respeitar.

Entretanto, nem mesmo esta rede profissional de bons amigos é a mais eficaz para uma recolocação profissional. Isto acontece porque seus membros - por terem o mesmo nível hierárquico da pessoa em campanha -, normalmente não têm condições de lhe oferecer um emprego. Na realidade, para uma campanha de recolocação, a rede precisa deixar de ser horizontal e se transformar em vertical. Em outras palavras, o profissional disponível precisa relacionar-se com níveis hierárquicos superiores ao seu, pois estes sim, têm condições de oferecer-lhe um emprego ou podem conhecer oportunidades existentes dentro das suas próprias redes profissionais.

A escalada é essencial, mas não é fácil, pois inexiste o potencial de ajuda recíproca que caracteriza as redes profissionais. Para um supervisor, por exemplo, pode ser de grande valia ter um gerente na sua rede, mas o inverso geralmente não é verdadeiro. Por isso, níveis hierárquicos diversos normalmente não pertencem à mesma rede.

Ou seja, a nossa própria rede de relacionamentos profissionais é relevante apenas como fonte de informações e apoio na escalada, mas não é a rede mais eficiente para fazer diferença numa campanha de recolocação. As oportunidades ocorrem em redes que estão um ou dois degraus acima. Por isso precisamos conseguir acessá-las, mesmo que tangencialmente, pois lá estão as pessoas que poderão nos apoiar.

 

Um abraço a todos,

Paulo Murayama Rose Maciel

 

 

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