LIÇÕES DA CRISE
Ela veio e ficou tempo demais. Neste final de 2018 ainda não foi embora.


Um cenário de crise passou a fazer parte dos planejamentos das empresas a partir do final de 2014. Mas, com o nosso natural otimismo, não esperávamos que chegasse de verdade, pelo menos não com essa duração e a profundidade. E, com ela, vieram a falta ou redução drástica de encomendas, a inadimplência, os atrasos nos recebimentos, as cobranças em geral, o desalento e alguma animosidade do quadro de colaboradores. O caixa ficou ruim, as fontes minguaram ou passaram a exigir garantias cada vez maiores. Embora muitas vezes existissem recursos econômicos nas empresas, o panorama geral de falta de confiança e de liquidez tornou difícil a alavancagem para completar as necessidades financeiras. E às vezes não houve recursos nem para reduzir o quadro de funcionários, uma medida tão indesejada quanto necessária.

Esperamos que após as conturbadas eleições presidenciais de 2018, isso tudo comece a ficar para trás. Alguns fundamentos permanecem bons: inflação contida, juros baixos e balanço de pagamentos favorável. Mas ainda persistem indicadores de desemprego na casa dos 12% e um clima de pessimismo, que a mudança de governo pode reverter. A curva parece prestes a inflexionar para melhor.

Olhando um pouco por dentro da economia, vimos que muitas empresas se encontram em recuperação ou já se recuperaram por completo. Entre elas, várias encontraram negócios em outros setores de mercado, ou passaram a exportar mais, ou reposicionaram as suas linhas de produtos, ou simplesmente ganharam market share. Também há aquelas que estavam situadas em setores de consumo obrigatório, ou que foram beneficiadas com forte demanda internacional. Ainda outras, conseguiram ajustar seus custos a níveis compatíveis com as receitas.

Neste momento gostaríamos de oferecer alguns tópicos para reflexão e tirar algumas lições desta fase tão difícil:

- As fases de “normalidade” não são permanentes e precisam ser aproveitadas para o fortalecimento da empresa em todos os sentidos: no tecnológico, na inovação, nos resultados financeiros, nas relações com os parceiros, na satisfação dos clientes. As debilidades devem ser enfrentadas sempre, e o melhor momento é quando as demais condições operacionais estão favoráveis. Entrar enfraquecido numa crise é muito ruim.

- Nas dificuldades percebemos com quem podemos contar, e quem são aqueles que continuam a se comportar burocraticamente no regime das oito às cinco. E vemos quais indivíduos que, sob tensão, se mantêm éticos e contributivos, e quais estão primordialmente preocupados em guarnecer defesas pessoais através de intrigas e desfeitas. Também identificamos os que estão concentrados nas soluções e nas melhorias de processos e aqueles que focam suas energias na busca de culpados e na responsabilização de terceiros pelas dificuldades.

- Vimos a importância da nossa postura pessoal durante as dificuldades. Percebemos que podemos incendiar o ambiente e fomentar o pânico, ou podemos manter o controle e a serenidade para acalmar os colaboradores e canalizar a sua emotividade em direções produtivas.

- O bom conhecimento da empresa, dos negócios, do mercado e dos parceiros permitiu que muitos de nós analisássemos a situação de maneira profunda e em várias dimensões, buscando saídas realistas e criativas. A importância do trabalho em conjunto nunca deverá ser mais percebida do que está sendo agora.

- Os processos devem funcionar bem sempre, com clareza, simplicidade e eficiência, pois as tarefas precisam continuar a ser executadas, às vezes com menos gente disponível.
- Precisamos estar bem preparados pessoalmente, pois os desafios da gestão são muitos e exigentes. Mesmo neste período, muita gente continuou a estudar e a se desenvolver, investindo em si próprios ou aproveitando oportunidades fornecidas pela empresa, tornando-se gestores mais capacitados e eficientes. Na crise ficou mais claro que precisamos valer mais do que custamos à empresa.

- Em algum momento alguns podem ter achado que a desgraça consola e que a vitória ameaça. Nesses casos, o noticiário ruim servia para que não se sentissem sós nas dificuldades, e concluíssem que não tinham culpa! Por outro lado, as notícias positivas ameaçavam, pois questionariam a sua capacidade: por que outros encontraram uma saída e nós não? As pessoas objetivas, autoconfiantes, humildes e positivas são aquelas com mais chance de encontrar mais cedo os caminhos da recuperação.

- Quando as condições mudam, precisamos mudar para enfrentá-las. Se a empresa sempre foi uma fornecedora de sistemas para equipamentos originais de fábrica, por que não explorar agora o mercado de reposição? Se a indústria nunca exportou para países da América Latina, que tal investigar isso agora? Enfim, o rompimento de paradigmas pode suplantar dificuldades e descortinar novos caminhos, inclusive para o pós-crise.

- E também tivemos tantos outros casos de pessoas que foram disponibilizadas no período e que enfrentam ou enfrentaram uma batalha longa, dura e digna do maior respeito. A crise pegou as pessoas de modo indiscriminado. Idealmente elas deverão voltar ao mercado de trabalho tão ou mais preparadas do que antes, além de mais maduras e mais conscientes da necessidade de preservar a saúde e a segurança da empresa e do emprego. Muitas também desenvolveram a espiritualidade nesta fase e encontraram consolo e energia numa Força maior. Não percam a fé.

Neste momento, desejamos a todos muita força, muita energia e muita confiança para acelerar a recuperação, e que saiamos da crise melhores do que entramos, em todos os sentidos.

 

Um abraço a todos,

Paulo Murayama Rose Maciel

 

 

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