CRESCIMENTO NÃO É DESENVOLVIMENTO

Dizem que as pessoas que não sabem onde querem chegar, nunca saberão  se chegaram. Um plano de vida é realmente importante pois, assim como o plano de negócios da empresa, aponta para o alvo, direciona, foca esforços, identifica lacunas e desenvolve competências.


Muita gente tem planos pessoais estabelecidos, mais ou menos meticulosos e detalhados, o que em princípio, é uma coisa boa. “Pretendo chegar ao nível de diretoria” , será a meta de alguns, por exemplo. “Quero ter meu próprio negócio”, será a de outros. Essas metas serão tanto mais realistas quanto melhor sejam avaliadas as suas etapas e atendidas as suas demandas próprias. Para uma carreira executiva, por exemplo, competências comuns são a formação acadêmica diferenciada, aprendizado constante, domínio de idiomas estrangeiros, espírito empreendedor, trajetória de carreira diversificada, desempenho consistente e acima da média, capacidade multifuncional, conhecimento da empresa e do mercado, visão de negócios, enfoque sistêmico, atenção para os detalhes, capacidade de assumir riscos, sensibilidade aguçada, boa interação com colegas, chefes e colaboradores, capacidade de comunicar idéias e conceitos, auto-motivação, orientação para resultados, resistência a frustrações, persistência, postura ética, honestidade, e tantas outras características de executivos de sucesso.


Por se tratarem de objetivos de vida, é natural que a persistência seja uma qualidade de destaque nessa caminhada. Sem ela, muita gente vai ficando pelo caminho, contentando-se ou frustrando-se em paradas intermediárias. E não é uma questão de culpar terceiros, a sorte, ou o destino. Essas pessoas pararam simplesmente porque não tiveram a energia ou a força de vontade para fazer tudo o que era necessário, ou ainda porque desconheciam as competências requeridas.


Mas, mesmo “chegando lá”, atingindo os sonhos profissionais pelos quais lutaram durante tanto tempo, alguns ainda podem permanecer com a incômoda sensação de que ainda faltou algo. “Puxa”, poderão pensar, “lutei tanto para chegar até aqui, venci, então porque ainda não estou satisfeito?”.


Um dos motivos para esse desconforto pode ser o fato de que aquela meta que perseguiram por tantos anos e com tanto esforço, simplesmente não era um objetivo legítimo, não era um objetivo delas mesmas! Seus "sonhos" podem ter vindo de fora para dentro, induzidos ou impostoas pelos pais, pelos amigos, pela esposa ou marido, ou pelo meio social. Outras vezes nem mesmo isso aconteceu, ninguém tentou lhes impor nada, mas a pessoas acharam que era isso o que era esperado delas! E viveram suas vidas em função de expectativas dos outros -reais ou imaginadas -, tornando-se crianças “boazinhas”, jovens “precoces”, cursando uma faculdade que não era bem aquela que gostariam, seguindo uma carreira que nunca lhes deu grande satisfação. Não é à toa que ao atingirem tais “objetivos”, venham a sentir-se incompletas. Na realidade essas pessoas desconsideraram o que realmente queriam, negligenciaram a si mesmas, deixaram de ouvir seus corações, viveram em função de expectativas de terceiros. Aprender a ouvir a si mesmas e a libertar-se da programação externa não é tarefa fácil, e muitas vezes exige apoio psicológico especializado. Mas nunca será tarde para identificarem o que realmente querem para si mesmas.


Um outro motivo pela eventual insatisfação daqueles que “chegaram lá” deve-se ao fato de que crescimento não é desenvolvimento, ganhar não é vencer.


A aquisição de todas as competências, qualidades e resultados que levaram ao sucesso profissional pode ter exigido um esforço desmedido, sugando todas as energias do indivíduo. Nesses casos, não é incomum que a família tenha sido negligenciada, que a saúde tenha sido sacrificada, que os hobbies praticados no fim de semana houvessem sido nada mais do que o prosseguimento do próprio trabalho, apenas uma forma de recarregar as baterias para enfrentar mais uma semana no escritório. E, do mesmo modo que acontece com as pessoas que vivem em função das expectativas de terceiros, também estes indivíduos podem ter esquecido de si próprios. A plenitude de uma existência - de uma vida -, está muito além do sucesso da carreira, mas reside na realização da pessoa como ser emocional, intuitivo, espiritual, depositária de um corpo físico saudável e bem cuidado.


“Chegar lá”, com plenitude e satisfação, reflete competência profissional, sem dúvida. Mas reflete também alguém que conseguiu o sucesso sem perder a sensibilidade às emoções e felicidade das outras, sem desconsiderar os desequilíbrios sociais, sem deixar de agir no sentido da preservação do meio-ambiente, sem deixar de perceber que estamos neste mundo para algo mais do que ganhar, acumular riquezas e consumir. Acima de tudo, atingir os objetivos profissionais - com contentamento e felicidade -,  é um atributo de pessoas que chegaram lá gostando de si mesmas.


Gostar da gente mesmo... isso parece ser mais fácil do que é. Ser merecedor de auto-estima é sempre consequência de fazer as coisas em consonância com valores interiores e a própria consciência, é não se arrepender ou se recriminar pelas coisas que faz, é poder encostar a cabeça no travesseiro e dormir em paz. É, também, colocar como objetivos de vida valores mais permanentes, coisas que não nos podem ser subtraídas, valores que nos dêem sustentação e felicidade mesmo que nossas carreiras sejam interrompidas e nossos empregos perdidos. Embora tudo isso exija um grande esforço e inabalável compromisso para conosco mesmos, os resultados podem significar uma vida que valeu a pena ser vivida.

 

Um abraço a todos,

Paulo Murayama Rose Maciel

 

 

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