OS DESAFIOS DA LIDERANÇA NUM MUNDO EM TRANSFORMAÇÃO (parte final)

Texto final de um artigo dividido em três capítulos, baseado em palestra proferida

no Ciclo de Palestras de Recursos Humanos promovido pelo Grupo de

Administradores de Recursos Humanos (GARH) de São Bento do Sul, SC. 


 

Novas competências - líderes e liderados


Na primeira parte desta série de artigos, abordamos as grandes transformações pelas quais passou a humanidade nesta geração, particularmente no terço final do século XX.  Na segunda parte, refletimos sobre a necessidade da adoção de novos paradigmas para a assimilação das novas realidades e das mudanças que continuam a ocorrer.   Nesta conclusão, falaremos sobre os novos perfis de competências para líderes e liderados neste ambiente de grandes mudanças e de novas formas de pensar.



1. Liderados:


 Hoje a maior parte das pessoas não tem mais atividades estanques no seu cotidiano, mas se vêem participando de processos que, em praticamente todos os casos, extrapolam os limites departamentais tradicionais.  Essa nova realidade, ditada pela maior complexidade do mundo e pela necessidade de maior eficiência operacional, exige relações de interdependência, autonomia, cooperação e o compartilhamento de conhecimentos.  Esses fatores completam, de modo fundamental, o conhecimento técnico específico que o profissional aporta para a organização e para o processo.


Precisamos, portanto, atentar que o novo perfil de competências, voltadas para o processo,  exige a interatividade, a iniciativa, a capacidade de decisão, a identificação profunda com as metas e a filosofia da empresa, e a postura de aprendizado permanente.  Dada a contínua evolução da tecnologia, e a própria complexidade de todos os fatores internos e externos, não basta deter o simples conhecimento técnico e estático de uma determinada área, mas sim possuir uma atitude de compartilhamento de conhecimentos e de contínuo aprendizado – a aprendizagem durante toda a vida.


Além das competências técnicas e comportamentais, os profissionais deverão revelar uma dimensão espiritual mais desenvolvida -, raramente explorada em processos seletivos -, que fará uma grande diferença no seu engajamento em organizações onde encontre valores semelhantes.  A dimensão espiritual envolve valores de ordem ambiental, comunitária e de irmandade, no sentido de agir sem perder de vista o bem estar do próximo e do meio ambiente.  Encontrada a sintonia, o indivíduo se sentirá bem e estará disposto a empregar com afinco as suas competências na organização.



2. Os desafios para aqueles em posições de liderança


2.1. Facilitador, delegador, gestor do aprendizado.  

Espera-se do líder, o papel de facilitador para que todas as competências exigidas possam ser efetivamente aplicadas no trabalho.  A delegação responsável é essencial, para o que o líder deve aplicar a grande parte do seu esforço no desenvolvimento dos seus colaboradores.   Neste sentido, o líder é um gestor do aprendizado e um conselheiro no desenvolvimento dos seus funcionários, com grande atenção em dar e receber feedback. 


2.2.   Confiante, participativo, cooperativo, visão sistêmica do processo.

O líder é também alguém que compartilha as informações relevantes com seus

colaboradores e busca a definição de objetivos, normas e procedimentos de

modo participativo e cooperativo, conciliando valores comuns.  Portanto, ele

assume o papel de regente de orquestra, com  especialistas em cada função,

mas procurando facilitar a harmonia do conjunto.  Por isso o líder tem uma visão

que extrapola as suas responsabilidades setoriais e foca-se no conjunto da

empresa, da partitura completa a ser executada, para ficar na metáfora do

maestro.



2.3. Respeitador da individualidade, aglutinador, flexível.  

O líder deve ter ainda profundo respeito pelas individualidades e anseios dos indivíduos, entendendo que não tem mais o papel histórico dos “gerentes”, no sentido de dar e ver ordens cumpridas, mas o de alinhavar e apontar interesses e valores comuns entre a empresa e seus componentes, ajustando a própria empresa às novas realidades na medida do possível.



2.3.   Inspirador, facilitador, apoiador. 

Deve anda ser um inspirador, um facilitador e apoiador, ajudando as pessoas a atingir e suplantar metas, ultrapassando o que julgavam ser os seus limites, tornando a visão do futuro clara e atraente para as pessoas. 


 

3. Frases indicativas dessa nova realidade.


Frases de dois empresários de ponta, que mostram como estão lidando e se antecipando aos novos tempos:


 A primeira delas é a seguinte:


“Estamos mostrando que a administração conduzida pelo coração, acima da própria razão, tem-nos destacado em nosso segmento de mercado.  Afinal, uma empresa é constituída de pessoas, e os líderes devem reconhecer seus subordinados como tais e não como peças em um organograma.” 

Renato Spallicci – Presidente da Apsen Farmacêutica, uma das 150 melhores empresas para se trabalhar, e uma das 50 melhores empresas para a mulher trabalhar, segundo a Revista Exame, em prefácio ao livro “A Terceira Inteligência”, de Floriano Serra.



A segunda citação é:


 “Há dez anos tenho me dedicado ao estudo do papel das organizações no destino da humanidade, formando a convicção de que a transformação organizacional deve ser o foco principal das atenções, e que a forma mais efetiva de fazer isso é promovendo relações positivas entre as pessoas... é necessária uma revolução coletiva no entendimento e na percepção das pessoas, uma mudança fundamental... capaz de levar à valorização da vida e à prosperidade sustentável.”  

Rodrigo da Rocha Loures, presidente da FIEP e sócio-fundador da Nutrimental, em prefácio do livro "O Lama e o Economista”, do Lama Padma Santen e do Economista Vitor Caruso.



4. Conclusão


O mundo está se transformando numa velocidade estonteante em todos os sentidos: tecnológico, familiar, social, político e econômico, tudo isso no contexto de um planeta que já dá indícios de esgotamento físico.  Profundas transformações ocorreram durante todo o século XX, e, de modo especialmente acelerado, nos últimos trinta anos. Como nossos processos mentais não se alteraram muito deste o início da humanidade, os indivíduos sentem dificuldade de processar as mudanças externas e, também, de promover as mudanças internas necessárias a uma existência mais compensadora e feliz.   Esta tarefa de mudar se dá no plano interior, somente interior, e, por isso, muitas pessoas estão voltadas para um exame introspectivo para descobrir o que é realmente importante para si mesmas, separando aquilo que está sendo imposto de fora para dentro.  Ao descobrir-se, o homem encontra uma nova fonte de força e autoridade, que sempre esteve lá, porém não reconhecida.  Esta nova autoridade leva à autonomia, e isso o faz esperar mais da sua vida e do seu trabalho, e o impele na busca de algo que corresponda aos seus valores e a sua real vocação.  O trabalho deve ser uma fonte de satisfação e realização, e não numa obrigação.  Por isso, o homem espera mais das empresas, ao mesmo tempo em que precisa desenvolver competências antes não exigidas, como a interatividade, o compartilhamento de informações e conhecimentos  e o aprendizado constante. E esse mesmo homem, quando investido de uma posição de liderança, precisa demonstrar competências adicionais, como a boa comunicação de valores e objetivos, o respeito pelos outros, a capacidade de compartilhar, de delegar, de ouvir, de harmonizar e de oferecer condições para o desenvolvimento dos colaboradores.  E tudo isso aliado à dimensão espiritual, que questiona todas as ações do ponto de vista do bem que se está praticando para si mesmo, para o próximo, para a sociedade e a para a natureza.


Um abraço a todos.


Paulo Murayama e Rose Maciel


 

 

Um abraço a todos,

Paulo Murayama Rose Maciel

 

 

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