Responsabilidade social - uma meta ao alcance de todos.

Este artigo mostra os sete grandes temas da responsabilidade social segundo os Indicadores Ethos.  Transcreve também alguns comentários da 2ª. Pesquisa de Responsabilidade Social realizada pelas empresas Lauster (de Joinville) e Civitas (de Curitiba) e publicada no Anuário Expressão de Gestão Social – 2005.


Em outubro de 2005 participamos do Congresso Sul-Brasileiro de Responsabilidade Social realizado na cidade de Joinville, SC, uma realização da empresa Lauster, com apoio e chancela de várias instituições como a Associação Empresarial de Joinville (ACIJ), Instituto ETHOS e outros. 


Por considerarmos importante a visão abrangente e organizada que tivemos desta importante temática, repartimos a seguir alguns aspectos relevantes com os nossos leitores.  


É interessante notar que a própria cidade de Joinville publicou em 2003 o seu Balanço Social, dentro do princípio de que deve “tornar pública a responsabilidade social, construindo maiores vínculos entre a Prefeitura, a sociedade e o meio ambiente”.   


Ficamos também muito impressionados ao tomar contato, nos intervalos das palestras, com o Planejamento Estratégico de Joinville até o ano 2020, instrumento que reflete a dimensão da cidadania naquele símbolo turístico e pólo econômico do Sul do País. Este Planejamento Estratégico foi desenvolvido pelo Conselho Municipal de Planejamento, composto por pessoas e entidades da sociedade civil e por órgãos do governo, sob a visão de que “a construção do futuro de Joinville é um direito e um dever do cidadão”.  


Pela abrangência deste trabalho de planejamento, tivemos que resistir à tentação de mergulhar mais profundamente neste assunto.  No entanto, estamos destacando o enunciado dos dois primeiros macro-objetivos da cidade (por estarmos traduzindo uma brochura em Inglês, possivelmente o texto original tem algumas variações):


“1. Manter capacidade e qualidade de vida: Estar entre os dez municípios líderes em desenvolvimento sustentável no Brasil, levando em consideração os índices sociais, educacionais, culturais, econômicos e ambientais até 2010”.


2. Solidariedade: Ter o melhor índice de inclusão social do Brasil até 2008, fomentando o trabalho voluntário e a ação de entidades do terceiro setor.”


Acreditamos que o exemplo da cidade de Joinville fornece um bom pano de fundo para uma visão dos sete grandes temas da Responsabilidade Social segundo o Instituto Ethos. 


Estaremos, a partir de agora, transcrevendo ou nos apoiando nos textos do Balanço Anual da Gestão Social da Editora Expressão.  (Uma nova Pesquisa de Responsabilidade Social do Sul do país será feita novamente em 2006, com o lançamento previsto em fevereiro, conduzida novamente pela Lauster e Civitas em parceria com a Editora Expressão e apoio do Instituto Ethos).


Temas da Responsabilidade Social.


1.     Valores, Transparência e Governança: Neste tema são avaliados os compromissos éticos da empresa, o enraizamento na cultura organizacional, o diálogo com as partes interessadas (stakeholders), as relações com a concorrência, sistemas de governança corporativa e o Balanço Social.


 2. Público Interno: Entre os indicadores estão: relações com os sindicatos de trabalhadores, gestão participativa, compromisso com o futuro das crianças, valorização da diversidade, políticas de remuneração, benefícios e carreira, cuidados com a saúde, segurança e condições de trabalho, compromissos com o desenvolvimento pessoal e empregabilidade, comportamento frente a demissões e preparação para a aposentadoria.


3. Meio Ambiente: Comprometimento da empresa com a melhoria da qualidade ambiental, educação e conscientização ambiental, gerenciamento do impacto no meio ambiente, gestão do ciclo de vida de produtos e serviços e minimização do uso de matérias primas e insumos.


4. Fornecedores: Critérios de seleção e avaliação de fornecedores, trabalho infantil e trabalho escravo na cadeia produtiva, relações com os trabalhadores terceirizados e apoio ao desenvolvimento de fornecedores.


5. Consumidores e Clientes: Dimensão social do consumo: avaliação da política comercial, a excelência no atendimento, o conhecimento e gerenciamento dos danos potenciais dos produtos e serviços.


6. Comunidade: Gerenciamento do impacto da empresa no entorno, relações com organizações locais e o financiamento e envolvimento da empresa com ações e projetos sociais.


7. Governo e Sociedade: Discussão de temas como contribuições para campanhas políticas, a criação na empresa de políticas anticorrupção e propina, a liderança e influência social da empresa e a participação em projetos governamentais de interesse público.


Alguns comentários sobre a 2ª. Pesquisa de Responsabilidade Social.


Noventa e nove empresas responderam à pesquisa, composta de 404 indicadores distribuídos em 35 subtemas.   De acordo com as respostas, as empresas foram enquadras em quatro estágios de práticas de responsabilidade social:


Nível 1 – A empresa se encontra em um nível de desempenho entendido como inicial e observado em organizações ainda na fase de sensibilização de lideranças e tomando conhecimento da gestão de responsabilidade social.


Nível 2 – Indica que a empresa está evoluindo nas práticas adotadas, implementando políticas de responsabilidade e incorporando o conceito ao sistema de gestão.


Nível 3 – Já existe uma incorporação das práticas de responsabilidade social ao sistema de gestão da organização e um gerenciamento específico para as políticas sociais.


Nível 4 – É o nível mais avançado e demonstra que possivelmente a empresa já tenha incorporado as políticas de responsabilidade social ao seu planejamento estratégico.


O relatório destaca que “cresceu a proporção das empresas que alcançaram os estágios 3 e 4 (45,5% do total das respondentes)... e que “25 companhias atingiram o estágio 4”, contra 13 empresas na pesquisa do ano anterior.  Por outro lado, houve uma diminuição nas empresas que se encontram no estágio 1, ou seja, apenas 20 do total de 99, contra 22 no ano passado (num universo de 64 empresas).


O artigo aponta que “há claramente áreas em que a preocupação com as boas práticas está mais avançada. Aí se incluem as ações voltadas à comunidade, as políticas para o público interno e para os clientes e consumidores. (...) Há também avanços importantes no tema Fornecedores, mostrando que, mesmo se lentamente, as empresas estão ficando mais atentas para que o conjunto da cadeia de distribuição seja socialmente responsável.”


O ponto fraco está na temática Governo e Sociedade, a qual obteve a menor pontuação nos sete temas.  O Anuário destaca que, “A título de exemplo, apenas 48% afirmaram que proíbem expressamente a participação em editais de concorrência manipulados. E, somente 38% inclui entre os procedimentos contra a corrupção, a obrigatoriedade de denunciar qualquer oferta recebida”.


Com este artigo, esperamos ter contribuído para uma visão dos fatores a serem levados em consideração pelas empresas socialmente responsáveis.  Um aspecto a se destacar é que tais práticas são aplicáveis a todos os tipos e tamanhos de negócio, o que vale dizer que a responsabilidade social é uma possibilidade ao alcance de todos.

 

Um abraço a todos,

Paulo Murayama Rose Maciel

 

 

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