BRASILIDADE
A alma brasileira sob ataque.

Nestes difíceis momentos que a Nação atravessa, muitos de nós podem estar se perguntando “A que ponto chegamos? Em quem confiar? Onde estão os Juscelinos Kubitstcheks, os Tancredo Neves, os Ulysses Guimarães, para nos trazer maior esperança e dignidade?


No íntimo, as pessoas sabem não existe esse "salvador da pátria".  Se olharem cuidadosamente para si mesmas, terão que admitir que a solução dos problemas passa por elas  mesmas, pelo reconhecimento de que são e serão sempre co-responsáveis - tanto pelos problemas, como pelas soluções.


Mas, tantos sinais de fratura nas estruturas nacionais – no Executivo, no Legislativo, no Judiciário, nas polícias, a classe empresarial, e na própria imprensa -, acabam por nos afetar como indivíduos.   Assim, é possível que muita gente esteja se questionando se afinal  não merecemos tudo o que acontece de ruim neste País. 


Se olharmos pelo ângulo do  comportamento omisso, com certeza muita gente está a colher o que plantou, por mais honestos que sejam em suas vidas pessoais.  Afinal, poucos se lembram em quem votaram nas últimas eleições, poucos escrevem ou ligam para os seus representantes políticos, só uma ínfima minoria manifesta a sua indignação nas seções de cartas das revistas e jornais.  Enfim, ainda não percebemos o quanto estamos sendo pessoalmente ludibriados e ultrajados com o que estão fazendo com o nosso País. Ou, em casos piores, alguns podem até ter concluido que, se roubar é a regra, então estão também autorizados a praticar suas pequenas malandragens no varejo (contra o próximo, contra o meio-ambiente, contra o Estado e por aí afora).


O pior é que tantas mazelas, tanto desamor pela coisa pública, tanto desrespeito, podem, em última análise, vir a afetar o que é mais precioso numa nação, que é o amor-próprio dos cidadãos e, especificamente, a valorização da alma coletiva, a alma  brasileira.


Como tantos povos subjugados e escravizados na história da humanidade, corremos o risco de acreditar que somos menores e inferiores, que não valemos nada, e que, em conclusão, não merecemos nada além deste prato que nos está sendo servido. A alma brasileira está sob ataque, e poderá se tornar uma vítima principal e irrecuperável da malícia de toda essa gente.


Não permitamos que isso aconteça! Acreditar que não prestamos, acreditar que somos malandros, é parte do jogo desta gente, pois isso nos desmoraliza e nos desautoriza a criticá-los. 


Ao contrário, nossa natureza abriga um venerável e importantíssimo legado de dignidade e trabalho dos nossos pais e avós,  e de todos os que vieram antes deles.  Somos depositários desses valores e  responsáveis por repassá-los inteiros -  e aprimorados -   às próximas gerações.   Com o nosso trabalho, humildade e inteligência, fizemos deste país uma potência econômica – entre as maiores do mundo-, e nem por isso perdemos -a esperança, a cordialidade, o calor humano, a alegria e a poesia. 


Precisamos nos lembrar que esses impostores não representam os valores da nação, não atuam segundo os nossos ideais, e, se representam alguma coisa, representam apenas a própria  torpeza.  A Brasilidade merece e deve exigir respeito!


Incorrendo no risco da pieguice - mas melhor este do que o risco da corrupção da alma -, reproduzimos alguns versos de canções brasileiras tradicionais, para uma lembrança de quem realmente somos nós, da nossa natureza profunda.   Infelizmente, uma trilha sonora não acompanha este texto, mas permita agora que sua alma se recorde e se refrigere na riqueza lírica e harmônica destas canções.


Embora altiva, é uma alma que chora.


 Do Luar do Sertão:


“Coisa mais bela neste mundo não existe

Do que ouvir um galo triste no sertão se faz luar.

Parece até que é alma da lua que descansa

Escondida na garganta deste galo a soluçar.


                         Não há, ó gente, ó não,

                         Luar como este do sertão.”


 De Gente Humilde:


            "São casas simples, com cadeiras na calçada,

            E na fachada escrito em cima que um Lar...

 

            ... e eu que não creio, peço a Deus por minha gente.

            É gente humilde, que vontade de chorar."

 


Do Rancho Fundo:           


            “Os arvoredos já não contam mais segredos

             E a última palmeira já morreu na cordilheira.

             Os passarinhos internaram-se nos ninhos

            De tão triste esta tristeza

            Cobre de trevas a natureza.”


 

Da Tristeza do Jeca:


                        "Nesta viola eu canto e gemo de verdade,

                        Cada verso representa uma saudade.


            Vou parar com a minha viola, já não posso mais cantar.

            Pois o Jeca quando canta tem vontade de chorar.

            E o pranto que vai caindo, devagar vai se sumindo

            Como as águas vão prô mar...”

 

E, finalmente,  neste momento em que elas se preparam para estar todas desfraldadas na Copa do Mundo, um trecho do nosso Hino à Bandeira:


            Salve, lindo pendão da Esperança!

            Salve, símbolo augusto da Paz!

            Tua nobre presença à lembrança

            A grandeza da Pátria nos traz!


                       Recebe o afeto que se encerra

                       Em nosso peito varonil,

                       Querido símbolo da terra,

                       Da amada terra do Brasil.”

Curitiba, maio de 2006.

 

Um abraço a todos,

Paulo Murayama Rose Maciel

 

 

Qualidade, Inteligência e Experiência
Nossos compromissos com você