E NINGUÉM RECLAMOU DO GOVERNO.
“Competitividade Brasileira no Mundo Globalizado”

 No segundo semestre de 2006 participamos de uma palestra organizada pela Câmara Alemã de Curitiba sobre a temática “Competitividade Brasileira no Mundo Globalizado”,  focada nas dificuldades resultantes de um real sobre-valorizado. Os painelistas eram dirigentes da Bosch, Hettich, Krupp e Siemens, empresas com forte participação das exportações em seus negócios.


Sem mergulhar profundamente no conteúdo das apresentações,  três fatos chamaram a nossa atenção.  O primeiro deles foi, de certo modo, surpreendente; o segundo, importante, passou a ser uma conseqüência direta do primeiro; e,  finalmente, um terceiro fator que nem chegou a ser debatido.


 O fato surpreendente foi o de que, ao contrário do que quase sempre ocorreu em reuniões deste tipo, ninguém reclamou do governo!  Os apresentadores  não pleitearam mudanças nas condições externas,  não houve apelos para que o  governo intervenha no câmbio; e nem a própria eventualidade de que venha a ser criado um dólar-exportação mereceu uma maior atenção.


 Como conseqüência dessa atitude, o segundo fato de destaque foi uma firme atitude das empresas de tomar seus destinos nas próprias mãos. Nesse contexto de busca de soluções dentro de casa, estavam o foco na eliminação de desperdícios, o redesenho de processos, os ganhos em eficiência e produtividade e a formação de parcerias na cadeia produtiva e de distribuição.  O governo, neste cenário,  se não atrapalhar já estará ajudando, e não foi encarado como um fator central nas estratégias.


 O terceiro fato que nos  chamou a atenção não chegou a ser explicitado, embora provavelmente tenha estado subentendido nas apresentações, ou seja, o papel dos recursos humanos no enfrentamento dos desafios e nas estratégias de negócios.   Muita ênfase foi corretamente dada a aspectos de tecnologia, processo, eficiência, criatividade, lean organization. Porém, muito pouco, ou nada se falou, sobre desenvolvimento de pessoas, ou people competence enhancement, para usar uma expressão tecnicista.


 É importante notar que a necessidade de recursos humanos capacitados tende a ficar cada vez mais crítica, pois há uma carência crescente de profissionais preparados no mercado.  Este problema só não se materializou em toda a sua gravidade porque a economia brasileira cresceu pouco nos últimos anos. As boas empresas, tendo ciência desta situação, têm assumido o papel de responsáveis pelo desenvolvimento de seus profissionais, não somente pela experiência on-the-job, como também pelo patrocínio de cursos de aperfeiçoamento, de idiomas e de pós-graduação formal.


O mundo desenvolvido também parece viver  situação semelhante pois, em artigo recente, a União Européia alertou para a necessidade de que os países-membros abrissem urgentemente oportunidades de trabalho para pessoal qualificado de outras regiões, pois a carência de mão-de-obra especializada estaria crescendo em progressão geométrica.


 A capacitação profissional  não se resume a aspectos técnicos, mas inclui competências comportamentais essenciais no mundo atual, tais como a capacidade de trabalhar em equipe - aprendendo e ensinando -, a interatividade, a aguda conscientização de custos, a mente aberta e inquisitiva, o espírito empreendedor e a postura de aprendizado contínuo.  Além disso, para obter o engajamento das pessoas, as organizações, de modo crescente,  precisarão passar a  corresponder a outros tipos de anseios dos bons profissionais -  de natureza social, ecológica e de maior participação nos destinos da organização (a propósito, em nosso site há uma série de artigos sob o tema “Os Desafios da Liderança num Mundo em Rápida Transformação”).


 A opção que se apresenta está entre desenvolver gerentes de soluções para enfrentamento dos desafios globais, ou continuar convivendo com gerentes de problemas.

 

Um abraço a todos,

Paulo Murayama Rose Maciel

 

 

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