E QUANDO ATÉ FUNCIONÁRIOS COMPETENTES E DEDICADOS PERDEM O EMPREGO?
Os comentários de leitores sobre o artigo “A Empregabilidade e a Crise”, publicado em fevereiro, demandam uma conclusão

A empregabilidade é importante não apenas para uma recolocação no mercado de trabalho, mas, também, para a própria manutenção do emprego. Em tempos de altíssima competitividade e, agora, de retração econômica, as empresas, mais do que nunca, precisam contar com os colaboradores mais capazes e mais dedicados. Do ponto de vista do profissional, isto significa que o colaborador precisa apresentar uma “empregabilidade competitiva”, ou seja, ser superior a outras alternativas disponíveis para o empregador. Embora isso deva ser verdade em qualquer situação, sabemos que em tempos de bonança temos uma tendência de ficar mais tolerantes, até com menos empenho. O empenho e dedicação “extras” efetivamente alavancam todas as demais competências, pois as magnificam nos momentos de necessidade. Isto, no entanto, não permite concluir que as pessoas competentes e engajadas estão a salvo de cortes e demissões. A realidade nos mostra que muitas vezes até esses profissionais são atingidos por um desligamento, independentemente do seu desempenho individual. Entre essas circunstâncias, estariam, entre outras, as seguintes: - A recessão torna-se tão profunda que uma drástica redução de pessoal fica inevitável; - A empresa é mal gerida, a competência é ignorada, o esforço é mal direcionado e os negócios rolam por água abaixo, com ou sem crise externa; - O chefe é irascível, intolerante, ou espera literalmente o impossível dos colaboradores - pessoas são desligadas ao primeiro sinal de falha ou hesitação; - Fusões e aquisições tornam redundantes múltiplas posições; - O profissional prefere ficar disponível a aplicar práticas que contrariam seus princípios morais. Dessa forma, para manter-se no emprego, não basta apenas ser experiente e competente, ter a formação acadêmica e o domínio de idiomas necessários e apresentar as características comportamentais adequadas para a cultura da empresa. É preciso também que não ocorram fatos externos ou programas internos que afetem profundamente as estruturas organizacionais... e nem que existam chefes irracionais. Há, porém, aqueles casos – não raros -, em que a demissão ocorre sem um motivo plausível e o profissional deixa a empresa sem saber exatamente o que ocorreu. Acontece. No entanto, nem sempre isso é assim tão inexplicável. Às vezes nos defendemos até de nós mesmos e jogamos uma nuvem de fumaça sobre o acontecimento: “A química não funcionou com o meu novo chefe”, ou “Não sei qual foi o motivo da demissão”, ou “Algumas pessoas foram desligadas e eu fui incluído. ” e por aí afora. Às vezes as próprias partes – chefe e funcionário – não conseguem explicar corretamente o que deu errado. Em primeiro lugar, consideremos que uma demissão geralmente é decidida com muito tempo de antecedência, vários meses, até que se concretize no ato do desligamento em si. Em segundo lugar, vários avisos são emitidos pela empresa e pelo próprio colaborador, antes mesmo que a chefia tome a decisão de demitir. No fundo a pessoa sabe que algo não está bem no trabalho. Intimamente, sente que a sintonia com seu chefe não existe mais; que discorda de muitas das práticas da empresa; que os seus resultados, prazos e indicadores estão problemáticos; que as suas argumentações passaram a rebatidas com impaciência; que a relação com o chefe deixou de ser franca e aberta; que as coisas parecem estar acontecendo sem que seja informada; que não é mais cobrada com a mesma insistência; que não sente mais vontade de ir trabalhar, etc., etc., etc. Os sinais são muitos! E isso não significa que se trata de um profissional incompetente, mas certamente de alguém que não estava sendo competente naquela empresa ou naquele momento. Dessa forma, um desligamento não poderá ser tão surpreendente se ocorrer! Portanto, ao lado de gente competente - que é desligada em virtude de dramáticos fatores externos -, há, também, aqueles que são desligados em função de outros motivos, às vezes combinados com dramáticos fatores externos. Nestas situações, às vezes até esses fatores externos são aproveitados para dispensas, sem a necessidade de maiores justificativas. O mundo não é justo e perfeito. Situações difíceis acontecem e muitas das vezes são precedidas de muitos avisos. Mas assim é o cotidiano das empresas e das pessoas que nelas trabalham. Paulo Murayama - Murayama e Maciel Consultores Associados

 

Um abraço a todos,

Paulo Murayama Rose Maciel

 

 

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